Formulação apresenta alta resistência mecânica e química, facilita a remoção do concreto e dispensa o uso de isocianatos e fluoropolímeros.
Pesquisadores chineses desenvolveram um revestimento de alto teor de sólidos destinado à proteção de fôrmas de alumínio utilizadas na construção civil. A tecnologia combina resistência mecânica, estabilidade química e propriedades que facilitam a desforma do concreto, utilizando um sistema de reticulação por adição de Michael que dispensa o emprego de isocianatos e fluoropolímeros.
O estudo, conduzido por uma equipe liderada por Zenglin Yan e Liang Shen, busca superar limitações dos revestimentos convencionais aplicados a estruturas de alumínio. Embora amplamente utilizadas na construção civil devido à leveza, à precisão dimensional e à possibilidade de reutilização, essas fôrmas estão sujeitas à degradação quando entram em contato com o concreto fresco.
A elevada alcalinidade do concreto, cujo pH pode variar entre 12,5 e 13,5, compromete a camada protetora natural do alumínio, favorecendo processos corrosivos e aumentando a dificuldade de separação entre o metal e o concreto. Esse fenômeno também pode provocar alterações na aparência e na qualidade superficial das estruturas produzidas.
Nova formulação combina resistência e desempenho
Para desenvolver o revestimento, os pesquisadores utilizaram uma resina epóxi E51 modificada quimicamente para produzir um composto funcionalizado com β-cetoéster. Esse material foi combinado com diferentes agentes de reticulação acrílicos por meio de uma reação de adição de Michael, realizada sob condições moderadas de cura.
Foram avaliados três agentes de reticulação: trimetilolpropano triacrilato (TMPTA), pentaeritritol triacrilato (PETA) e 1,6-hexanodiol diacrilato (HDDA).
Os resultados demonstraram que a estrutura química dos agentes utilizados influencia diretamente a resistência, a flexibilidade e as propriedades de barreira do revestimento.
Entre as formulações analisadas, o sistema com TMPTA apresentou o melhor equilíbrio de desempenho. A composição alcançou resistência à tração de 41,5 MPa, alongamento na ruptura de 23,6% e temperatura de transição vítrea de 43,8 °C.
O revestimento também demonstrou elevada resistência a ambientes alcalinos e solventes, além de maior resistência à abrasão e desempenho favorável na separação do concreto das fôrmas de alumínio.
Proteção anticorrosiva e alternativas aos sistemas convencionais
A avaliação eletroquímica indicou propriedades de barreira contra agentes corrosivos. Após 48 horas de imersão em solução de cloreto de sódio, o revestimento apresentou módulo de impedância de aproximadamente 10⁸ a 10⁹ Ω·cm², resultado associado à proteção da superfície metálica.
Segundo os pesquisadores, o desempenho está relacionado à estrutura da rede polimérica formada durante a reticulação, que contribui para limitar a penetração de substâncias agressivas e melhorar as propriedades de superfície.
A tecnologia também apresenta uma alternativa aos sistemas convencionais de proteção utilizados na construção civil.
Agentes desmoldantes à base de óleo mineral, por exemplo, oferecem proteção temporária e precisam ser reaplicados após cada ciclo de utilização. Já determinados revestimentos em pó exigem processos de preparação e cura em temperaturas elevadas, entre 180 °C e 200 °C.
O novo sistema permite explorar condições de cura mais moderadas e elimina a necessidade de componentes como isocianatos e fluoropolímeros na formulação estudada.
Potencial para revestimentos industriais
Os resultados indicam que a reticulação por adição de Michael pode contribuir para o desenvolvimento de revestimentos industriais com alto teor de sólidos, resistência química e propriedades mecânicas adequadas a aplicações exigentes.
Além da proteção anticorrosiva, a combinação entre resistência à abrasão e facilidade de desforma pode favorecer o desempenho de fôrmas metálicas submetidas a ciclos repetidos de utilização.
A pesquisa amplia as possibilidades de desenvolvimento de formulações para o setor de tintas e revestimentos industriais, especialmente em aplicações que exigem durabilidade e resistência a ambientes altamente alcalinos.
Embora os resultados laboratoriais sejam promissores, a adoção industrial da tecnologia ainda dependerá de avaliações adicionais em condições reais de operação, incluindo durabilidade, repetição dos ciclos de desforma e viabilidade de produção em escala.


