Tecnologia sem flúor combina polissacarídeos e camada hidrofóbica para aumentar a resistência do papel à água e ao óleo.
Pesquisadores na China desenvolveram um revestimento biobaseado e livre de flúor para melhorar as propriedades de barreira do papel contra água e óleo. A tecnologia combina quitosana, alginato de sódio e polivinilbutiral (PVB) em uma estrutura formada por duas camadas com funções complementares.
O desenvolvimento busca solucionar uma das limitações dos materiais à base de papel utilizados em embalagens: sua baixa resistência natural à umidade e a substâncias oleosas. Ao mesmo tempo, a pesquisa procura oferecer uma alternativa a sistemas convencionais de revestimento que podem utilizar plásticos ou compostos fluorados.
Na primeira etapa do processo, os pesquisadores formaram sobre o papel uma camada de polissacarídeos composta por quitosana e alginato de sódio. As interações eletrostáticas entre os componentes, associadas à reticulação mediada por íons de cálcio, formam uma estrutura densa que preenche os poros do substrato e atua como barreira ao óleo.
Em seguida, uma camada hidrofóbica à base de PVB é aplicada sobre essa estrutura. As interações por ligações de hidrogênio entre o PVB e os polissacarídeos contribuem para aumentar a resistência à água e a estabilidade estrutural do revestimento.
Desempenho de barreira
Nos testes realizados, o papel revestido alcançou Kit 12 para resistência a óleo e Cobb de 15,3 g/m², indicador relacionado à absorção de água. O tratamento também proporcionou aumento de 101% na resistência à tração do material.
A estrutura apresentou ainda desempenho como barreira ao vapor de água e tolerância a solventes como etanol, hexano e xileno. Ensaios de enterramento no solo também indicaram biodegradabilidade do material desenvolvido.
Segundo os pesquisadores, a combinação das duas camadas pode contribuir para o desenvolvimento de papéis de alto desempenho destinados especialmente a aplicações em embalagens de alimentos. A abordagem busca reduzir a dependência de revestimentos plásticos convencionais e de sistemas contendo compostos fluorados, conciliando propriedades de barreira com uma formulação de maior conteúdo biobaseado.
O trabalho foi desenvolvido por J. Wang e colaboradores e publicado em 2026 na revista científica Progress in Organic Coatings.


