É fácil de concordar: se tem uma coisa que o mercado de tintas adora, é falar de cor. Pigmento, tonalidade, acabamento. Pois bem, dessa vez a cor mais importante da história nem está na lata.
É a rosácea da onça-pintada, o bicho que dá nome ao maior felino das Américas e que virou, goste ou não, o símbolo mais forte da conservação no Brasil.
A Tintas Eucatex acaba de fechar uma parceria inédita com o Onçafari, ONG que há 15 anos roda o país de armadilha fotográfica debaixo do braço, para destinar recursos à conservação do Pantanal.
Entre setembro e dezembro, uma edição limitada de 18 litros da Tinta Rendimento Extra Branco entra em cena. Parte da receita gerada pela venda dessa linha especial vai direto para os projetos da instituição.
Uma parceria com pegada
O Onçafari não é novato nessa conversa. A sua missão é conservar a biodiversidade brasileira protegendo áreas naturais e apoiando o desenvolvimento socioeconômico das comunidades que vivem ao redor delas — porque conservação, sem gente, não se sustenta. A ONG atua hoje em quatro biomas — Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica —, já monitorou mais de 350 onças-pintadas e tem mais de 320 armadilhas fotográficas espalhadas por aí, discretas como só uma onça sabe ser.
O trabalho já influenciou mais de 2 milhões de hectares de áreas protegidas e ajudou a reintroduzir na natureza onças, primatas, aves e outros animais. E tudo isso sem folga: a prevenção e o combate a incêndios florestais fazem parte da rotina da equipe em campo, todos os dias.
O dinheiro arrecadado com a campanha só chega às mãos da ONG em janeiro de 2027, mas o destino já está combinado: cuidado com as espécies, conscientização da população e conservação do meio ambiente no Pantanal.
Juliana Altona, diretora de parcerias, estratégia e eventos do Onçafari, resume o tamanho do gesto. “Parcerias como a com a Eucatex são essenciais para sustentar um trabalho de longo prazo — e não se trata só de dinheiro, mas de ter, no dia a dia das bases no Pantanal, empresas dispostas a colocar a mão na massa junto com a equipe”. Segundo a executiva, na prática isso vira mais estrutura para pesquisa e monitoramento da biodiversidade, prevenção de incêndios e acompanhamento constante do bioma.
Além da lata
Do lado da Eucatex, o discurso foge do lugar-comum de “produto sustentável” e vai num tom mais autocrítico — bem-vindo, diga-se. Alexssandre Nagy, gerente de trade marketing e comunicação, reconhece que a indústria química vem avançando na oferta de produtos com menor impacto ambiental, mas que o compromisso corporativo precisa ir além da fórmula que está dentro da lata. Para ele, a parceria é um modelo pioneiro no segmento, por permitir contribuir de forma ativa e mensurável para a manutenção de um ecossistema fundamental para a biodiversidade brasileira.
E a colaboração não para na doação. Nas bases do Onçafari no Pantanal, as tintas da Eucatex também vão entrar em ação na manutenção das próprias instalações mantidas pela instituição. Ou seja, a marca não financia de longe, ela também bota a mão na parede, literalmente.


