Leonardo Vasconcelos, diretor comercial e de marketing, detalha o projeto de IA do grupo, as novas linhas Dialine Epóxi e Decoratto, os avanços na fábrica e a agenda ESG
Por Rodrigo Rezende
Uma das maiores fabricantes de tintas do Brasil e a maior do setor com capital 100% nacional, a Iquine investe simultaneamente em duas frentes de inovação: a digitalização da jornada do cliente, com um novo site que usa inteligência artificial para orientar a escolha de cores e soluções, e o desenvolvimento de linhas técnicas de alta performance.
Para entender como essas duas camadas de tecnologia, a visível ao consumidor e a que está na fórmula, se conectam e o que vem a seguir, a reportagem do Paint Innovation conversou com Leonardo Vasconcelos, diretor comercial e de marketing da Tintas Iquine.
A empresa lançou recentemente um site com inteligência artificial para orientar o consumidor na escolha de cores e soluções. Esse é o início de uma estratégia maior de digitalização ou um projeto pontual?
Em 2024, a companhia deu um passo decisivo ao estruturar um ambicioso projeto de inteligência artificial (IA) que já começa a impactar diretamente a área comercial e promete avançar por toda a operação.
A iniciativa nasceu com a criação de um comitê dedicado ao tema e com um objetivo claro: consolidar uma mentalidade digital dentro da empresa. Diante disso, o novo site da Iquine é mais uma ferramenta dentro desse universo de tecnologia e IA que direciona todo o Grupo Iquine. Estamos implantando em todas as nossas áreas a mentalidade de IA para otimizar processos e melhorar cada vez mais a experiência do cliente com a nossa marca.
Do ponto de vista do profissional, quais tecnologias a empresa está desenvolvendo hoje que vão mudar a rotina de trabalho nos próximos anos?
A plataforma Iquine IClub, de relacionamento com o pintor, passou recentemente por uma reestruturação completa, com um novo sistema de pontuação e premiação por meio de cartão virtual.
A mudança melhora consideravelmente a experiência do profissional na plataforma e a forma como ele resgata os prêmios. Os excelentes resultados e o feedback dos pintores já podem ser vistos desde o relançamento.
Fale sobre a tecnologia por trás de lançamentos recentes, como a linha Dialine Epóxi e os revestimentos Decoratto
Os novos lançamentos das linhas Dialine e Decoratto ampliam as possibilidades de aplicação e acabamento, unindo tecnologia, alto desempenho, resistência e praticidade. O Dialine Epóxi representa uma evolução da linha, tradicionalmente focada em esmaltes monocomponentes. Trata-se de um sistema epóxi bicomponente, formado por Esmalte, Fundo, Catalisador e Diluente, que proporciona uma película vitrificada, de alta dureza e elevada resistência química, mecânica e à abrasão. A linha é composta por Dialine Esmalte Epóxi, Dialine Fundo Epóxi, Dialine Catalisador Epóxi e Dialine Diluente Epóxi, formando um sistema completo para preparação e acabamento.
Na linha Decoratto, o Decoratto Pedras Naturais traz uma evolução estética e tecnológica ao incorporar grãos de pedras naturais selecionados, que criam nuances minerais, pontos de brilho e um acabamento autêntico e sofisticado. O sistema conta também com o Decoratto Primer, desenvolvido para preparar o substrato e melhorar a aderência do revestimento. Com elevada resistência e proteção contra a umidade, o Decoratto Pedras Naturais pode ser aplicado em ambientes internos e externos.
Quando o consumidor final vai perceber, na prática, o resultado dessas novas tecnologias, seja em durabilidade, rendimento ou facilidade de aplicação?
O consumidor final percebe os benefícios principalmente no rendimento, no tempo de secagem e na alta durabilidade dos produtos. Na linha Dialine Epóxi, a preparação adequada da superfície e o sistema catalisado proporcionam um acabamento de alta resistência, que permite renovar superfícies como azulejos, pisos e metais sem a necessidade de obras mais complexas.
O produto tem secagem rápida, com liberação ao toque em cerca de duas horas, e rendimento de até 60 metros quadrados por galão do produto acabado.
Já o Decoratto Pedras Naturais, por ser um produto pronto para uso e contar com granulometria controlada, facilita a aplicação e proporciona um acabamento uniforme. Com secagem ao toque entre duas e três horas e rendimento de até 7 metros quadrados por balde de 22 kg, entrega praticidade aliada à resistência e à durabilidade.
Na prática, isso significa menos tempo de execução, maior facilidade na aplicação e acabamentos que permanecem bonitos e protegidos por mais tempo.
Mudando o foco para dentro da fábrica, quais tecnologias de produção a Iquine tem incorporado, e que ganhos elas trazem para a própria companhia?
Destacaria quatro frentes:
1. Implantação do Programa Iquine de Melhoria (PIM), voltado ao desenvolvimento da cultura de TPM e Lean nas linhas de produção.
2. Controle e gestão da eficiência das linhas de produção em tempo real (OEE).
3. Automação das linhas de envase, para melhorar a produtividade, eliminando ou automatizando operações manuais.
4. Investimentos planejados para a jornada de transformação das plantas para a indústria 4.0.
Os ganhos incluem aumento de produtividade e eficiência operacional, melhoria da ergonomia e da segurança, maior engajamento e desenvolvimento das pessoas e fortalecimento da cultura de melhoria contínua.
A empresa é signatária do Pacto Global da ONU e reforça compromissos ESG. Como a tecnologia de produto e de manufatura conversa com essa agenda de sustentabilidade?
A tecnologia de produto e de manufatura transforma os compromissos ESG do Grupo Iquine em práticas concretas, com foco em produção responsável, eficiência no uso de recursos e redução de impactos socioambientais. No produto, essa conexão acontece por meio do desenvolvimento contínuo de soluções que combinam desempenho, qualidade e critérios de sustentabilidade.
Além da busca por maior durabilidade e eficiência, estamos avançando na substituição e na redução do uso de substâncias químicas nocivas, bem como na diminuição das emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC). Isso se reflete no portfólio, composto por cerca de 54% de produtos à base de água, além de itens certificados pelo Programa Setorial de Qualidade (PSQ) de Tintas Imobiliárias.
Na manufatura, esses critérios são incorporados à busca por processos mais eficientes e pelo uso responsável dos recursos. Atualmente, cerca de 80% da nossa produção é à base de água, utilizamos água de reúso na fabricação de complementos imobiliários e promovemos o reaproveitamento integral do solvente gerado no processo, evitando que esse material se torne resíduo.
Somos também Aterro Zero, direcionando os resíduos gerados para reaproveitamento, reciclagem e compostagem.
A gestão energética faz parte da estratégia. Desde 2021, utilizamos energia de fontes renováveis por meio do mercado livre e, em 2025, avançamos com a certificação I-REC, que assegura a origem renovável da energia consumida. Essas iniciativas reforçam nossa busca por maior eficiência operacional e pela redução dos impactos socioambientais associados à produção.
Olhando para a cadeia da construção civil como um todo, que benefício concreto essas tecnologias trazem para construtoras, arquitetos e especificadores, além do produto em si?
Temos hoje um time de vendas estruturado para atender especificamente esse nicho, com foco no desenvolvimento de produtos, na assistência técnica dedicada e no atendimento comercial. Esse atendimento conta com a nossa IA, a Lumia, que concentra as informações e permite uma experiência muito mais especializada e focada no canal.
Existe alguma tecnologia em fase de pesquisa hoje, ainda não lançada, que o senhor possa adiantar para o nosso leitor?
Temos times focados no desenvolvimento de novas tecnologias em todas as frentes, seja na área comercial, de produtos, logística ou fabril, integrados e estruturados dentro de um planejamento estratégico com foco na experiência do cliente.
Como a Iquine avalia o nível de maturidade tecnológica do setor de tintas no Brasil hoje, em comparação com outros países? Onde estamos à frente e onde ainda precisamos avançar?
O setor de tintas no Brasil apresenta maturidade tecnológica média e figura entre os cinco maiores mercados globais. A indústria se destaca pela alta qualidade das tintas imobiliárias e por fábricas modernas, mas há uma quantidade razoável de pequenas fábricas sem normatização, o que impacta negativamente o mercado dentro do país.
Ainda existe uma enorme dependência de insumos químicos importados para a produção das tintas, e as variações de economia, política e segurança globais afetam diretamente o negócio. Sem dúvida, olhar para o futuro e investir em pessoas e tecnologia será o grande diferencial para quem quiser se manter no mercado e crescer com sustentabilidade.
Se tivesse que resumir em uma frase o que a tecnologia representa para a Iquine nos próximos cinco anos, qual seria?
A tecnologia na Iquine está a serviço da melhoria contínua da experiência do cliente, e o investimento nas pessoas fará a grande diferença, juntamente com as inovações do mercado.


