Empresas reformulam estratégias para atender às crescentes demandas ambientais e regulatórias
A sustentabilidade se consolidou como um tema prioritário na indústria de tintas, abrangendo desde a seleção de matérias-primas até a eficiência operacional e a gestão do fim de vida dos produtos impressos. Com uma crescente pressão regulatória e a demanda por soluções ambientalmente responsáveis, fabricantes de tintas têm integrado a circularidade e a redução de emissões em suas estratégias.
Para Alina Marm, chefe global de sustentabilidade e economia circular da Siegwerk, a sustentabilidade surge cedo nas conversas com clientes, especialmente no contexto de embalagens circulares, refletindo o compromisso das marcas com transformações sustentáveis. Nikola Juhasz, diretora técnica global de sustentabilidade da Sun Chemical, acrescenta que as preocupações ambientais, aliadas a novas legislações, estão redefinindo o design e a comercialização de embalagens, impulsionando mudanças fundamentais no setor.
A digitalização também tem um papel relevante na otimização de recursos e redução de desperdícios. Paul Edwards, vice-presidente da divisão digital da INX International Ink Co., destaca que a impressão digital favorece tiragens menores e maior eficiência nos processos produtivos, alinhando-se às metas sustentáveis da indústria.
Doug Aldred, CEO e presidente da Packaging Inks North America da Flint Group, enfatiza que a eficiência operacional se tornou uma prioridade para empresas que buscam reduzir desperdícios, simplificar processos e minimizar custos. Segundo ele, a transição para uma economia circular é um tema constante em todas as discussões com clientes e fornecedores.
Hideki Ohba, diretor de marketing da Toyo Ink Co., Ltd., ressalta que a pressão regulatória e dos consumidores impulsiona a adoção de soluções de tintas recicláveis e com baixo teor de compostos orgânicos voláteis (VOCs). Como parte da iniciativa de sustentabilidade da empresa (asv2050/2030), a Toyo Ink tem priorizado o desenvolvimento de revestimentos funcionais que otimizam a reciclabilidade de embalagens flexíveis.
A preocupação ambiental também se estende à relação com fornecedores de matérias-primas e equipamentos. Para muitas empresas, a seleção de insumos sustentáveis e a colaboração com parceiros comprometidos com boas práticas ambientais são essenciais. No entanto, Marm observa que ainda há desafios: “Enquanto alguns fornecedores já possuem uma abordagem proativa, outros precisam ser estimulados a incorporar a sustentabilidade em seus processos”.
A busca por alternativas sustentáveis também tem impulsionado a inovação. A Sun Chemical, por exemplo, tem investido no desenvolvimento de tintas sem nitrocelulose para facilitar a reciclagem de plásticos, enquanto a Flint Group reforça seu compromisso com a redução de emissões em toda a cadeia produtiva. De acordo com Aldred, a empresa pretende atingir uma redução de 46,2% nas emissões até 2030 e zerar suas emissões de Escopo 1 e 2 até 2050.
A transição para fontes de energia renováveis é outra iniciativa crescente no setor. Siegwerk, INX, Sun Chemical e outras empresas têm investido na instalação de painéis solares e na otimização dos processos produtivos para reduzir o consumo de energia. Segundo Marm, a Siegwerk já alcançou a meta de utilizar 100% de eletricidade renovável em suas unidades globais.
Com a sustentabilidade se tornando um imperativo estratégico, o setor de tintas tem investido em soluções inovadoras para garantir a conformidade regulatória e atender às expectativas do mercado. A integração de processos sustentáveis em toda a cadeia de valor, desde a seleção de matérias-primas até a gestão de emissões e o desenvolvimento de produtos recicláveis, é um reflexo da evolução da indústria rumo a um futuro mais responsável e circular.