Descubra os desafios e tendências do mercado de pigmentos em 2025, incluindo tarifas sobre dióxido de titânio e avanços em sustentabilidade
As preocupações com pigmentos essenciais, como dióxido de titânio e negro de fumo, estão movimentando o setor de tintas e levando fabricantes a repensar estratégias para os próximos anos.
Pigmentos e corantes desempenham um papel fundamental na produção de cores que compõem embalagens, materiais impressos e diversos produtos do cotidiano. Segundo a Mordor Intelligence, o mercado global de pigmentos deverá alcançar US$ 31,08 bilhões em 2025, com projeção de crescimento anual de 2,8%, chegando a US$ 35,68 bilhões até 2030. Desses, pigmentos inorgânicos representam 76% do mercado. Estimativas semelhantes foram divulgadas pela Custom Market Insights, que projeta crescimento de US$ 24,13 bilhões em 2025 para US$ 35,6 bilhões até 2032.
O mercado tem passado por uma onda de consolidações. Em outubro de 2024, a Sudarshan Chemical anunciou a aquisição da Heubach, que possui 19 fábricas ao redor do mundo. No entanto, problemas financeiros e desafios com matérias-primas levaram a Heubach a declarar insolvência nos tribunais alemães em abril de 2024, evidenciando as dificuldades do setor em manter margens saudáveis.
Falko Orlowski, vice-presidente executivo da Trust Chem, destacou que as fusões reduziram as opções de fornecedores, mas também abriram novas oportunidades. “O setor está se consolidando, mas isso permitiu que a Trust Chem aproveitasse oportunidades de crescimento com sucesso. O preço ainda é prioridade para os clientes, mas buscamos entregar valor por meio de qualidade, consistência e serviço excepcional,” afirmou Orlowski.
Dióxido de Titânio em Foco
Um dos maiores desafios do setor é o impacto de tarifas sobre o dióxido de titânio (TiO₂). Em janeiro de 2025, a União Europeia implementou tarifas provisórias sobre as importações chinesas, que variam de €0,25 a €0,74 por quilo. Segundo Christel Davidson, diretora-gerente da CEPE, os fornecedores europeus não conseguem atender à demanda interna, e a substituição das importações chinesas é limitada, gerando desvantagens competitivas para fabricantes europeus.
Nos Estados Unidos, a indústria de pigmentos também enfrenta desafios regulatórios. David Wawer, diretor-executivo da Associação de Fabricantes de Pigmentos de Cor (CPMA), criticou as regulamentações federais que aumentaram os custos de produção desde 2021. Ele também destacou a proposta de regulamentação do CI Pigment Violet 29, publicada pela EPA em dezembro de 2024, que, segundo ele, carece de embasamento técnico.
Negro de Fumo e Sustentabilidade
Outro ponto de atenção é o negro de fumo, essencial para tintas pretas utilizadas no processo de impressão CMYK. Em 2024, o estado de Nova York avaliou um projeto de lei para proibir embalagens contendo negro de fumo, classificando-o como substância tóxica. Apesar de não ter sido aprovado, o projeto trouxe à tona discussões sobre sustentabilidade e reciclagem no setor.
George Fuchs, diretor de assuntos regulatórios da NAPIM, explicou que a medida buscava reduzir embalagens e aprimorar a infraestrutura de reciclagem em Nova York. “O negro de fumo é indispensável para a impressão CMYK, que é predominante em todo o setor,” enfatizou.
O mercado de pigmentos segue enfrentando pressões regulatórias, questões tarifárias e desafios com matérias-primas, mas também apresenta oportunidades para inovação, sustentabilidade e novos projetos impulsionados por grandes marcas.