A indústria brasileira de tintas encerrou 2025 atingindo um marco relevante: pela primeira vez, o volume comercializado no país superou a marca de 2 bilhões de litros.
O crescimento de 1,2% em relação a 2024, embora moderado, consolida um movimento consistente de expansão e reforça a solidez do setor mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.

Com esse desempenho, o Brasil mantém sua posição como o quarto maior produtor mundial de tintas, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia — um indicativo claro da relevância estratégica da indústria nacional no cenário global de coatings.
O avanço registrado no ano reflete, em grande parte, a capacidade de adaptação do setor. Enquanto o segmento imobiliário apresentou crescimento mais tímido, impactado pelos juros elevados e pelo ritmo da construção civil, outras frentes ganharam protagonismo. As tintas automotivas, impulsionadas pela retomada da produção de veículos e pela necessidade de manutenção da frota, e o segmento industrial, favorecido por investimentos em infraestrutura e pelo dinamismo do agronegócio, contribuíram de forma decisiva para o resultado positivo.
Esse movimento evidencia uma transformação importante: o crescimento da indústria de tintas no Brasil torna-se cada vez mais diversificado, reduzindo a dependência exclusiva do setor imobiliário e ampliando sua conexão com diferentes cadeias produtivas.

Com um mercado que movimenta cerca de R$ 40 bilhões ao ano e reúne aproximadamente 2 mil fabricantes, a indústria de tintas tem papel transversal na economia, atendendo desde a construção civil até setores como automotivo, bens duráveis e embalagens. Trata-se de uma cadeia ampla, com forte impacto na geração de empregos e no desenvolvimento industrial.
Para o presidente-executivo da Abrafati, Luiz Cornacchioni, o momento exige equilíbrio entre cautela e visão de longo prazo. O desempenho de 2025 reflete um cenário de consumo mais seletivo, mas também reforça a consistência do setor, que segue crescendo em linha com a economia. A avaliação dentro da entidade é de que o ambiente ainda demanda atenção, mas mantém perspectivas positivas.

Essa leitura é reforçada pela própria liderança da associação, que reconhece o contexto de incertezas como parte do novo padrão do mercado. Mais do que reagir a ciclos econômicos, a indústria tem avançado na construção de uma base mais sólida, sustentada por inovação, eficiência e diversificação.
O potencial de crescimento permanece evidente. O consumo per capita de tintas no Brasil ainda gira em torno de 9 litros por habitante ao ano, significativamente abaixo de mercados mais maduros, o que indica espaço relevante para expansão. Ao mesmo tempo, tendências como sustentabilidade, maior desempenho técnico das formulações e digitalização dos processos vêm ganhando força e devem impulsionar a evolução do setor nos próximos anos.
Para 2026, a expectativa é de continuidade desse movimento, com crescimento próximo ao PIB e manutenção da trajetória positiva, ainda que em ritmo controlado.
Mais do que um recorde em volume, o resultado de 2025 sinaliza um setor que amadurece, se diversifica e se posiciona de forma cada vez mais estratégica dentro da economia brasileira — combinando escala, tecnologia e capacidade de adaptação para sustentar seu crescimento no longo prazo.
Um setor mais resiliente e melhor posicionado para crescer



A marca de 2 bilhões de litros é importante, mas o que realmente chama atenção é a qualidade desse crescimento”, afirma 