Nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores nos EUA combina reciclagem de PET e matérias-primas biobaseadas para criar revestimentos em pó mais sustentáveis
Uma equipe de pesquisa da Washington State University desenvolveu uma nova geração de poliésteres altamente ramificados a partir de PET reciclado combinado com insumos de origem biológica. A inovação dá origem a sistemas de revestimento em pó que reúnem atributos de sustentabilidade e alta performance, incluindo capacidade de autocorreção de danos superficiais e propriedades avançadas de retardância à chama.
Apesar de os revestimentos em pó à base de poliéster já serem amplamente utilizados na indústria por dispensarem o uso de compostos orgânicos voláteis (VOC), ainda persistem desafios relacionados à origem das matérias-primas, desempenho em condições extremas e possibilidade de reparo após aplicação. O novo estudo propõe uma abordagem integrada para superar essas limitações ao combinar reciclagem química e insumos renováveis em uma mesma estrutura polimérica.
No centro da formulação está um poliol tetrafuncional obtido por meio do reaproveitamento de PET, que é combinado com ácidos dicarboxílicos de origem renovável, incluindo componentes derivados de ácido itacônico e ácido succínico. Essa arquitetura permite a formação de poliésteres hiper-ramificados com elevada densidade de grupos reativos, fundamentais para o desempenho do material. O sistema é posteriormente reticulado com um epóxi tri-funcional derivado de resveratrol.
A estrutura resultante apresenta comportamento vitrimer, caracterizado por reações dinâmicas de transesterificação. Esse mecanismo possibilita rearranjos na rede polimérica sob estímulo térmico, conferindo ao revestimento a capacidade de “autocura” de microdanos, como riscos superficiais, além de maior flexibilidade estrutural durante o processamento industrial.
Outro destaque da tecnologia é a incorporação de fósforo na matriz polimérica, que atua de forma sinérgica no retardamento de chamas. Em fase gasosa, o material contribui para a neutralização de radicais livres, enquanto na fase condensada favorece a formação de uma camada carbonizada protetora, aumentando a resistência térmica do substrato aplicado.
Os testes realizados em diferentes superfícies, incluindo aço, MDF e madeira compensada, indicaram melhoria significativa no desempenho de proteção térmica, reforçando o potencial de aplicação em setores que exigem alto nível de segurança e durabilidade.
Os resultados apontam para uma estratégia promissora de desenvolvimento de revestimentos em pó mais sustentáveis, ao integrar matérias-primas recicladas e biobaseadas com funcionalidades avançadas. Para a indústria de coatings, a abordagem abre caminho para soluções multifuncionais que atendem simultaneamente às demandas ambientais, regulatórias e de performance.