Do laboratório à gôndola, o mercado enfrenta o desafio de entregar produtos mais sustentáveis sem perder a qualidade
Por Rodrigo Rezende
A corrida pela redução de compostos orgânicos voláteis (VOCs) e a busca por formulações mais alinhadas às metas ESG colocam os coalescentes sustentáveis no centro da inovação do setor de tintas e revestimentos. Com novas tecnologias capazes de unir desempenho técnico e menor impacto ambiental, esses aditivos vêm se firmando como peças estratégicas para o futuro da indústria, que já começou.
Tradicionalmente usados para facilitar a formação do filme em tintas à base de água, os coalescentes são fundamentais para a performance final do produto. Influenciam desde a aparência até a resistência do filme seco. Mas o impacto ambiental causado pela emissão de VOCs acendeu um alerta na cadeia produtiva, abrindo espaço para soluções mais sustentáveis.
Sustentabilidade e desempenho lado a lado
Empresas químicas têm investido no desenvolvimento de coalescentes de baixa emissão, com matérias-primas renováveis e desempenho superior.
A Bandeirante Brazmo, distribuidora da Dow no Brasil, oferece coalescentes como o UCAR Filmer IBT e o UCAR Filmer LV, ambos com baixo VOC e projetados para otimizar a performance técnica das formulações.

Segundo Fabiana Tanabe, coordenadora técnica de especialidades da empresa, esses coalescentes de nova geração se destacam por sua baixa emissão de VOC e baixo odor, contribuindo para ambientes internos mais saudáveis. Além disso, ela destaca, oferecem excelente eficiência na formação de filme e compatibilidade com diversos sistemas de resinas. “Temos observado um aumento significativo na demanda por esses insumos, impulsionado por regulamentações ambientais mais exigentes e pelo maior engajamento da indústria com práticas sustentáveis”, afirma.
Fabiana explica ainda que esses produtos são desenvolvidos com base em engenharia molecular avançada, oferecendo baixa pressão de vapor, evaporação controlada e alta eficiência na formação de filme. “Mesmo em condições adversas de temperatura e umidade”, diz.
Lilian Furlan, gerente técnico comercial da Adexim – Comexim, conta que itens da sua representada CAS Additives, com a linha Casolv, também focam em coalescentes sustentáveis que melhoram a formação do filme e minimizam os impactos ambientais e à saúde humana ao longo do ciclo de vida da tinta.
“Os nossos coalescentes não são de origem biológica, mas o seu impacto efetivo na sustentabilidade é evidente, com produtos que apresentam baixa emissão de VOCs e alta eficiência na formação do filme”, diz Lilian, ressaltando as variantes Casolv V10, V11, V20 e V25, que variam em faixa de ebulição e níveis de emissão, segundo ela garantindo soluções adaptadas a diferentes necessidades.
A executiva compartilha que a CAS Additives já acumula cases de sucesso, especialmente com os coalescentes Casolv V20 e V25, que ajudam a classificar tintas com nota A+ segundo o Decreto Francês 2011/321, referente à emissão de poluentes em tintas internas.
Desafios técnicos e comerciais
Embora os benefícios sejam claros, a transição para coalescentes sustentáveis não acontece sem obstáculos. Para Alexssandre Nagy, gerente de trade marketing e comunicação da Tintas Eucatex, a adoção envolve rigorosos processos de testes técnicos.

“No laboratório, avaliamos odor, compatibilidade, temperatura mínima de formação do filme, resistência à abrasão, secagem, brilho, entre outros aspectos. Na aplicação, analisamos cobertura, nivelamento, respingo, secagem e recorte. O desempenho final não pode ser comprometido”, explica o executivo.
Ele também alerta sobre obstáculos como a disponibilidade limitada de coalescentes de fontes renováveis em larga escala e o custo mais elevado em relação aos tradicionais.
Lilian, da Adexim – Comexim, destaca que o principal desafio foi aperfeiçoar a tecnologia para formular coalescentes com baixo VOC sem perder a performance técnica. “A linha Casolv foi desenvolvida com muito estudo e testes, visando manter alto potencial de coalescência e atender às exigências de desempenho”, conta.
Na visão dela, o mercado brasileiro está se mobilizando para a adoção em massa dessas tecnologias. “Não é mais uma questão de escolha, mas de necessidade ambiental. Acreditamos que o mercado irá se empenhar para colaborar com a preservação do meio ambiente”, diz.
Mais verde e ao mesmo tempo eficiente
Na prática, as empresas confirmam ganhos concretos com o uso de coalescentes sustentáveis. Segundo Nagy, da Tintas Eucatex, há melhorias em resistência à abrasão e à água, além da redução dos VOCs e a possibilidade de formar filme em temperaturas mínimas mais baixas.
Fabiana, da Bandeirante Brazmo, destaca que clientes que reformularam as suas tintas com os coalescentes UCAR Filmer IBT e LV obtiveram redução expressiva de VOCs sem perda de desempenho em lavabilidade, resistência e acabamento. “Isso traz ganhos para o meio ambiente, para a saúde dos aplicadores e para o consumidor final”, reforça.




