Tintas inteligentes e revestimentos refrigerantes prometem reduzir superfícies quentes sem usar eletricidade
Empresas como a SkyCool Systems e equipes de pesquisa internacionais estão promovendo a aplicação de tecnologias de resfriamento radiativo, uma solução passiva que promete reduzir significativamente a demanda por ar condicionado, de acordo com dados divulgados pela MIT Technology Review.
O resfriamento radiativo baseia-se na capacidade natural dos objetos de dissipar o calor acumulado durante o dia. Qiaoqiang Gan, professor de ciência dos materiais na Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah, na Arábia Saudita, explica que os tetos metálicos dos carros esfriam à noite porque transferem calor para o céu, atingindo temperaturas ainda mais baixas que a temperatura ambiente.
Esse processo, conhecido há séculos nas culturas do Irã, Norte da África e Índia, era usado para produzir gelo ou projetar telhados refletivos que reduziam o calor nas casas. “O resfriamento radiativo é universal, está presente em nosso dia a dia”, ressalta Gan.
O princípio consiste em refletir a maior parte da radiação solar e permitir que o calor restante escape como radiação infravermelha através da chamada janela atmosférica, uma faixa de comprimentos de onda que não é absorvida pela atmosfera e permite que o calor se dissipe diretamente no espaço.
Os primeiros experimentos, em 2014, utilizaram filmes fotônicos avançados para maximizar a dissipação de calor. Hoje, o setor prioriza materiais mais simples e robustos: telhados cerâmicos, polímeros refletivos e filmes à base de nanomateriais.
Startups como SkyCool Systems, Planck Energies, Spacecool e i2Cool competem na comercialização de revestimentos que refletem pelo menos 94% da radiação solar, ultrapassando 97% em climas tropicais úmidos.
A SkyCool Systems explica que a sua película, aplicada em painéis e telhados, impede o aquecimento sob o sol e emite calor infravermelho para o céu, mantendo o ambiente fresco durante todo o ano, dia e noite.
A aplicação desses revestimentos vai além dos telhados refletivos convencionais. Eles já foram instalados em supermercados na Califórnia e em pavilhões como o da Expo 2025 no Japão. Fonte: Noticias Ambientales