Equipamento desenvolvido no Brasil realiza análise milimétrica de obras de arte com custo até dez vezes menor que o de modelos importados.
O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), tornou-se o primeiro espaço cultural do país a receber uma tecnologia nacional voltada à digitalização e análise técnica de obras de arte. O equipamento foi desenvolvido por professores e pesquisadores do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e marca um avanço significativo na aplicação de soluções de engenharia e inovação científica ao patrimônio histórico.
O robô, fabricado integralmente no Brasil, realiza o escaneamento tridimensional e a leitura de superfícies com precisão milimétrica, possibilitando o registro detalhado de camadas e materiais utilizados em pinturas e esculturas. Com investimento de cerca de R$ 400 mil, a tecnologia apresenta custo dez vezes menor que o de modelos similares importados como o anteriormente adquirido pelo IFRJ por aproximadamente R$ 4 milhões.
EM sua primeira utilização fora do ambiente de pesquisa, o equipamento foi integrado às atividades técnicas do museu mineiro, onde atua em conjunto com outros sistemas de análise e conservação de acervos.
Segundo Renato Freitas, coordenador do Laboratório Móvel do IFRJ, os dados obtidos pelo sistema permitem identificar padrões de aplicação de pigmentos, misturas de tintas e técnicas de produção artística, oferecendo suporte a estudos de conservação e autenticidade.
“Essas informações ajudam a compreender a intenção do artista e o comportamento dos materiais ao longo do tempo”, explica Freitas.
Além de reduzir custos operacionais e de manutenção, a iniciativa reforça o potencial da tecnologia nacional em democratizar o acesso a ferramentas científicas de alto desempenho, fortalecendo o elo entre inovação, educação e preservação cultural.