Tecnologia super-hidrofílica aplicada sobre acrílico favorece a condensação e alcança recuperação de até 85% da água em testes laboratoriais.
Pesquisadores da Coreia do Sul desenvolveram um revestimento super-hidrofílico para aumentar a eficiência de sistemas de condensação destinados à obtenção de água. Aplicada sobre um substrato acrílico flexível, a tecnologia alcançou recuperação de até 85% em condições laboratoriais e foi projetada para permitir produção em escala.
A solução integra um sistema de condensação de vapor fotoeletrotérmico e utiliza uma camada fina formada por polietilenoglicol (PEG-400), álcool polivinílico (PVA) e uma estrutura híbrida de sílica produzida a partir de TEOS e KH550. Antes da aplicação, o substrato acrílico passa por tratamento com plasma.
Na formulação, o PVA atua como ligante e contribui para estabelecer a interface entre a rede inorgânica de silano e o material polimérico. A estratégia permite modificar as características superficiais do acrílico e obter elevada afinidade com a água.
Superfície favorece formação do condensado
A elevada hidrofilicidade faz com que as gotas formadas durante a condensação se unam rapidamente, criando um filme contínuo de água sobre a superfície. Esse comportamento facilita o transporte e a coleta do condensado.
Em condições laboratoriais de temperatura entre 17 °C e 24 °C e umidade relativa de 16% a 22%, o condensador revestido atingiu taxa de recuperação de água de até 85%, sem necessidade de um sistema adicional de refrigeração.
O desempenho também apresentou estabilidade durante os ensaios. Após seis ciclos e 12 horas de operação contínua, a taxa permaneceu acima de 80%, indicando resistência mecânica e manutenção das propriedades de molhabilidade da superfície.
A taxa teórica de coleta chegou a 6,5 litros por metro quadrado ao dia, considerando entrada elétrica de 6 W. Segundo os pesquisadores, o sistema apresenta potencial para integrar soluções de obtenção de água doce a partir de fontes como água do mar e águas residuais, especialmente em regiões áridas e semiáridas.
O estudo, conduzido por M. N. Hossain, Y. Suh e S. J. Lee, foi publicado em 2026 na revista científica Progress in Organic Coatings.


