Participei recentemente do 79º Fórum Paint & Pintura, promovido pela Agnelo Editora e Eventos, mediando o painel “Varejo de Tintas – Segmento em Transformação”. Foi uma conversa especialmente interessante porque reuniu três empresários com trajetórias, modelos de negócio e momentos distintos, mas que estão protagonizando movimentos importantes no varejo brasileiro.
Mais do que os números, expansões, fusões ou modelos de negócio apresentados, saí do painel prestando atenção em algumas expressões que apareceram repetidamente nas falas. E elas dizem muito sobre o futuro. Algumas expressões foram marcantes no encontro.
A primeira: tecnologia e pessoas. Não é difícil compreender o motivo. O varejo está se tornando cada vez mais tecnológico. Sistemas de gestão, inteligência de dados, CRM, canais digitais, automação e ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da realidade de empresas que desejam ganhar produtividade e compreender melhor seus clientes. Mas tecnologia, sozinha, não resolve.
Uma empresa pode ter excelentes sistemas e continuar oferecendo uma experiência ruim. Porque tecnologia não substitui cultura, liderança, treinamento e relacionamento. Ela potencializa tudo isso. Outra palavra foi repetida algumas vezes: execução. E talvez essa seja uma das maiores deficiências do varejo brasileiro.
Existe muita estratégia, muita ideia, mas o resultado aparece quando alguém executa. Executar é transformar estratégia em rotina. É garantir preço corretamente formado, estoque disponível, loja organizada, equipe treinada, vendedor preparado, cliente atendido, orçamento acompanhado e pós-venda realizado.
É fazer aquilo que foi combinado quando ninguém está olhando. No varejo, execução é estratégia em movimento.
Também ouvimos um termo que sintetiza muito do que podemos realizar: fazer o básico absolutamente bem feito, com disposição incansável. Essa frase talvez seja uma das melhores definições de excelência operacional que eu tenha ouvido recentemente. Porque existe uma tendência no mundo dos negócios de procurar constantemente a próxima grande novidade.
A próxima tecnologia. O próximo aplicativo. A próxima estratégia. O próximo modelo.
Enquanto isso, algumas empresas continuam perdendo vendas porque não fazem bem aquilo que já sabem que precisam fazer. O cliente não encontrou o produto. O vendedor não fez o contato. O orçamento não foi acompanhado. A loja não estava organizada. A equipe não conhecia suficientemente o produto. O problema não foi resolvido. O básico não aconteceu. E o básico mal executado custa caro.
O que mais me chamou atenção naquele painel foi justamente perceber que transformação não significa necessariamente abandonar aquilo que funciona. Significa melhorar continuamente a maneira como fazemos aquilo que precisa ser feito. Tecnologia e pessoas. Execução. Básico absolutamente bem feito. Três expressões diferentes, mas que se encontram em um mesmo ponto: disciplina empresarial.

Artigo de Salvador Nascimento consultor com mais de 30 anos de experiência no varejo de tintas
Salvador é colunista colaborador do portal Paint Innovation. Até o próximo mês!


