Análise aponta maior durabilidade do grafeno, enquanto revestimentos cerâmicos mantêm espaço por custo e aplicação mais acessíveis.
Os revestimentos à base de grafeno vêm ampliando seu espaço em aplicações de proteção de superfícies, mas ainda não representam uma substituição direta às tecnologias cerâmicas. Uma revisão científica publicada na revista Polymers indica que as duas soluções apresentam vantagens distintas e tendem a atender diferentes necessidades do mercado.
O estudo, conduzido por Umar Nirmal e outros pesquisadores, analisou aproximadamente uma década de avanços em revestimentos de proteção, incluindo tecnologias à base de cerâmica, grafeno, ceras e sistemas híbridos. A comparação considera aspectos como durabilidade, dureza, repelência à água, resistência mecânica, custos e complexidade de aplicação.
Grafeno amplia desempenho em durabilidade
Segundo a revisão, revestimentos cerâmicos apresentam vida útil estimada entre um e três anos, enquanto sistemas à base de grafeno podem alcançar entre cinco e dez anos. O grafeno também demonstrou vantagens relacionadas à flexibilidade, repelência à água e resistência a trincas e lascamentos.
Os revestimentos cerâmicos, por sua vez, permanecem consolidados em aplicações de proteção de pinturas automotivas. Esses sistemas normalmente apresentam dureza entre 9H e acima de 10H e ângulos de contato com a água que podem variar de aproximadamente 90° a mais de 150°.
Apesar do desempenho atribuído ao grafeno, sua adoção enfrenta uma barreira econômica. A revisão aponta que esses revestimentos estão entre as alternativas de maior custo, principalmente devido à aplicação mais intensiva em mão de obra, e não necessariamente ao preço da matéria-prima.
Tecnologias ocupam diferentes espaços no mercado
As diferenças de desempenho e custo indicam que grafeno e cerâmica podem avançar em segmentos distintos, em vez de disputar diretamente a substituição de uma tecnologia pela outra.
Enquanto os revestimentos cerâmicos oferecem uma alternativa já estabelecida para aplicações que buscam proteção associada a custos e processos de instalação mais acessíveis, o grafeno ganha espaço em situações nas quais maior vida útil e desempenho justificam investimentos superiores.
O movimento também ultrapassa o segmento de proteção automotiva. A indústria já explora o grafeno como aditivo para tintas à base de água, sistemas de proteção de aço e revestimentos em pó, ampliando as possibilidades de aplicação do material na cadeia de coatings.
No Brasil, a Gerdau Graphene é um exemplo desse avanço. A companhia já apresentou aditivos de grafeno destinados a tintas e revestimentos à base de água, demonstrando como a tecnologia pode ser incorporada às formulações em vez de utilizada apenas como revestimento final.
Sistemas híbridos abrem nova frente tecnológica
Outra possibilidade identificada pela revisão está nos revestimentos híbridos, que combinam características das tecnologias cerâmicas e do grafeno. Esses sistemas podem representar uma alternativa para incorporar ganhos de durabilidade e desempenho sem necessariamente reproduzir todos os custos associados aos revestimentos exclusivamente baseados em grafeno.
Para formuladores e fornecedores da indústria de tintas e revestimentos, um dos principais pontos a acompanhar será a evolução dos processos de aplicação e seus custos. Uma eventual redução dessa diferença poderá ampliar a utilização do grafeno para além de aplicações premium e favorecer sua adoção em maior escala.


