Sustentabilidade, inovação e demanda por eficiência energética transformam o setor
O crescimento acelerado da indústria automotiva no Brasil, que registrou um aumento de 14% nas vendas em 2024 e atingiu 2,63 milhões de unidades, não só fortalece o setor de transportes, mas também impulsiona a demanda por revestimentos industriais e tintas especializadas. A projeção para 2025 indica um aumento de 8,4% na produção de veículos leves e um volume total de 2,8 milhões de unidades fabricadas, intensificando a necessidade de soluções em revestimento que atendam às novas exigências do mercado.
Avanço da tecnologia de revestimentos
A crescente busca por sustentabilidade e inovação no setor automotivo impacta diretamente a demanda por tintas e revestimentos. A necessidade de melhorar a eficiência energética e reduzir emissões tem levado montadoras e fornecedores a adotarem novas tecnologias de pintura e revestimento em pó. A PPG, por exemplo, investiu US$ 2,7 milhões na ampliação de sua fábrica em Sumaré (SP), aumentando sua capacidade em 40% para atender ao crescimento do setor.
O mercado brasileiro de revestimentos em pó eficientes em energia foi avaliado em US$ 98,98 milhões em 2024 e deve crescer a uma taxa anual composta de 22,4% até 2031, de acordo com a Cognitive Market Research. Esse crescimento é impulsionado pelo aumento da atividade industrial e pela busca por processos produtivos mais sustentáveis. No cenário latino-americano, esse segmento já representa mais de 5% da receita global de revestimentos eficientes em energia, movimentando US$ 231,26 milhões em 2024, com expectativa de crescimento de 21,8% ao ano até 2031.
Impacto das tendências globais no mercado de tintas
As tendências globais da indústria automotiva também afetam diretamente o mercado de revestimentos. Segundo a Euromonitor International, três fatores moldarão o setor em 2025: a desaceleração da demanda por veículos elétricos puros em favor dos híbridos, o avanço das tecnologias de condução autônoma e o fortalecimento do mercado de carros usados.
Com a expectativa de que os veículos híbridos ganhem protagonismo, fabricantes de tintas e revestimentos precisarão adaptar suas soluções para atender às novas especificações técnicas e de eficiência desses modelos. Além disso, com a expansão das tecnologias semiautônomas — que estarão presentes em 48% dos veículos leves vendidos globalmente em 2025 — a necessidade de revestimentos que protejam sensores e componentes eletrônicos se tornará ainda mais relevante.
O fortalecimento do mercado de veículos usados, que deve atingir 179 milhões de unidades comercializadas globalmente em 2025, também apresenta novas oportunidades para o setor de tintas. O crescimento da revenda de automóveis aumenta a demanda por repintura automotiva, especialmente diante da valorização de soluções de acabamento premium e proteção contra corrosão.
Sustentabilidade e regulamentação impulsionam inovação
A crescente regulamentação ambiental e os compromissos das montadoras com a redução de emissões de carbono têm impulsionado a pesquisa e o desenvolvimento de revestimentos mais sustentáveis. Segundo estudo da Boston Consulting Group, o setor automotivo brasileiro emite 242 milhões de toneladas de CO2 por ano, representando 13% das emissões totais do país. Tecnologias de revestimento mais eficientes podem contribuir para a redução desse impacto ambiental ao diminuir a necessidade de repintura, otimizar processos produtivos e aumentar a durabilidade dos acabamentos automotivos.
O programa governamental Mover (Mobilidade Verde e Inovação), lançado em 2024, prevê incentivos fiscais e financiamentos para empresas que investem em tecnologias sustentáveis, o que deve acelerar a adoção de revestimentos de baixa emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs) e soluções à base de água. Esse cenário favorece grandes players do setor, como AkzoNobel, Jotun, BASF, IGP e TCI, que já investem em soluções alinhadas às novas regulamentações ambientais.
Perspectivas para o setor de revestimentos automotivos
Diante do crescimento da produção automotiva e das mudanças regulatórias e tecnológicas, o setor de tintas e revestimentos se posiciona como peça-chave na transformação da indústria. Com investimentos recordes de US$ 22 bilhões previstos até 2032, o Brasil se prepara para uma nova fase de inovação, na qual a sustentabilidade e a eficiência produtiva serão determinantes para o sucesso da cadeia automotiva e de revestimentos.