A Braskem desenvolveu, em parceria com a Lallemand Biofuels & Distilled Spirits (LBDS), uma tecnologia para produção de bioacetona a partir de etanol de milho. A novidade amplia a estratégia da companhia em matérias-primas renováveis e inclui o mercado de tintas e revestimentos entre as possíveis aplicações do produto.
O processo combina a tecnologia de leveduras da LBDS com um sistema proprietário de separação desenvolvido pela Braskem, em um modelo do tipo bolt-on, que pode ser incorporado às estruturas existentes das usinas de etanol. Segundo as empresas, a solução permite gerar a bioacetona como um coproduto de maior valor agregado sem comprometer a eficiência da produção de combustível.
Para o setor de tintas e revestimentos, o principal aspecto está na possibilidade de utilização da bioacetona como alternativa renovável à acetona convencional. A Braskem destaca a característica drop-in da matéria-prima, que pode favorecer aplicações que buscam reduzir a pegada de carbono sem alterações significativas nos processos. Cosméticos, acrílicos, adesivos e produtos de higiene pessoal também estão entre os mercados citados pela companhia.
A demanda global por acetona supera oito milhões de toneladas por ano, segundo a Braskem. Após cinco anos de desenvolvimento conjunto, a tecnologia começa a ser disponibilizada para a indústria norte-americana de etanol, enquanto a comercialização da bioacetona em escala industrial está prevista para 2028, inicialmente com foco nos mercados dos Estados Unidos e da Europa.
Isso está de acordo com uma tendência de busca por matérias-primas de menor impacto ambiental na indústria química e pode abrir novas possibilidades para formuladores de tintas e revestimentos nos próximos anos. Para o mercado, porém, a novidade ainda está em fase de desenvolvimento e preparação para escala industrial, e não representa, neste momento, uma substituição imediata da acetona convencional.


